Na
política é natural o desgaste, grandes nomes de antes podem não ser os de
amanhã. São poucos os políticos que conseguem manter-se no poder e com
prestígio por toda a vida. Para isso, é preciso que o mesmo tenha uma vida política
íntegra, seja coerente, dentre outras qualidades.
Na
cidade de Cuité, Curimataú paraibano, existem os dois casos. De um lado, um
ex-gestor que preza pela sua integridade, que já foi prefeito há anos, mas
mantém o seu prestígio com o povo e tem orgulho de dizer que tem uma carreira
limpa.
Na
cidade de Cuité, Curimataú paraibano, existem os dois casos. De um lado, um
ex-gestor que preza pela sua integridade, que já foi prefeito há anos, mas
mantém o seu prestígio com o povo e tem orgulho de dizer que tem uma carreira
limpa.
Do
outro lado, há um grupo que há mais de vinte anos comanda a cidade, mas que
sofre o natural desgaste político e já não tem mais o prestígio, também
natural, do início da sua carreira. O líder tem processos na justiça, e a sua
esposa, atual chefe do Executivo Municipal, sofre com as sequelas desse desgaste. Denúncias de irregularidades, escândalos, uso da máquina pública
em favor do grupo e a distribuição de benefícios entre os seus comandados e a
própria família.
No
primeiro caso citado, para alguns já é evidente de quem se trata,
refiro-me ao ex-prefeito Jaime Pereira. O homem que levou os Grupos Escolares
para a zona rural do município, dentre tantas outras obras. Administrou com
muita garra em um período cheio de apertos e dificuldades que não chegam perto
da crise financeira que assola o País neste momento. Apesar de tudo, teve um
mandato integro, como tem sido a sua vida política até hoje.
No
segundo caso, temos o “Eterno Prefeito” Bado Venâncio, que de tanto tempo no
poder, revezando com aliados e a sua esposa – mas sem nunca deixar de comandar –
se tornou “eterno” para alguns. Ex-vereador, presidente de Câmara,
vice-prefeito, prefeito e deputado estadual, Bado tem um currículo político de
causar inveja a qualquer um que pretende ingressar na vida pública. Porém, algumas coisas não o torna invejável, o ex-prefeito acumula em sua carreira política
processos, denúncias e uma baixa de popularidade. Já não é o mesmo de décadas
atrás.
Com
o histórico de bom de festa e mau pagador para os servidores, os funcionários
municipais lembram quando para o povo foram feitas 15 noites de festa e como
consequência da gastança foram meses sem salário para os funcionários. O “cumpade”
Bado até tentou levantar o seu nome através do gogó de Ton Oliveira, mas
adquiriu para sempre uma chaga no seu histórico político.
Chaga
essa, herdada pela sua esposa, a atual prefeita Euda Fabiana. Como via de
regra, é normal que todo final de ano a gestora deixe seus servidores
contratados comendo galeto assado ao invés do peru, por falta de pagamento. E
tem mais, tem que engolir no seco, se reclamar perde o emprego, se ficar calado
garante a vaga no ano seguinte.
O
desgaste político, como dito no início do texto, é natural, mas pode ser
antecipado por alguns que esquece que o poder emana do povo e acha
que este é adquirido através de velhas práticas políticas. Com o avanço da
tecnologia, as práticas ultrapassadas vão ficando para trás. O povo tem
conhecimento e acesso direto às informações, já não são manipuláveis como em
outros tempos.
E
assim, sem prestar atenção nesses detalhes, o grupo do ex-prefeito Bado, que
vivia de dois em dois anos levando o povo na conversa, quando o acesso a veículos
de informação era limitado, sofre uma grande rejeição. As velhas
promessas não saem do papel, mas agora o cidadão já sabe que em muitos dos
casos não é como antes, que diziam e ficava por isso mesmo. Hoje até o homem do
campo está conectado nas redes sociais e tem acesso a tudo.
Agora,
vendo o seu reinado chegar ao fim, o ex-prefeito ganha de presente uma grande
dor de cabeça: a quem entregar o trono? Quatro aliados disputam a preferência,
mas só um pode ocupar a vaga. Na indefinição, pode acontecer um racha e, assim,
ser decretado o fim da carreira política do grupo.
Mas,
porque o fim? É que Bado e Euda sabe que do outro lado existe um nome que pode
os tirar do poder. Novato na política, mas com grande aceitação nos quatro cantos
do município, surge Charles Camaraense, o homem que conseguiu quebrar o recorde
do ex-prefeito e conseguiu ser majoritário na sua primeira campanha, ao disputar
uma vaga de deputado. Não chegou lá, mas se credenciou como o melhor nome para tomar
o império dos que já não tem mais um norte para seguir.
Charles
não só tem uma grande aceitação, mas conta com o apoio do ex-prefeito Jaime
Pereira e tem acolhido de braços abertos os insatisfeitos e cansados com as
promessas repetitivas do ex-gestor, que seria invejável, se não fosse tantos
pontos negativos em tantos anos de muita conversa e pouca ação.
Flávio
Fernandes

