É
Natal, e nesses dias os corações se tornam mais humanitários, a alma parece
cheia de amor; o espírito, repleto de fé e confraternização. Mas a palavra
esperança não cabe mais em nossas mensagens, porque a perdemos dentro de nós.
Também perdemos a paz, e já faz tempo!
A cada dez minutos uma pessoa é assassinada no
País. Uma guerra sem canhões, mísseis e armas químicas.
Antigamente
havia cadeiras nas calçadas e uma boa conversa entre amigos e vizinhos. A
polícia do passado servia para prender bêbados e tomar peixeira. Hoje as
famílias estão cada vez mais encarceradas no medo de suas residências. Entre
elas e as calçadas: grades, alarmes e cercas elétricas.
Um
volume, cada vez maior, de criminosos chegam diariamente aos presídios, que já
estão superlotados, e não reintegram ninguém.
Fiquei sabendo que dois grandes presídios devem ser construídos na
Paraíba, em Solânea e Guarabira, e não resolverão o problema. Porque o sistema
penitenciário está falido, a Legislação é falha, o governo é impotente, os
políticos, em geral, são indiferentes e a população hipócrita.
Seria
atirar o lixo debaixo do tapete querer responsabilizar, unicamente, o
Governador pela questão da violência. Como jamais aconteceu em nosso Estado, a
Polícia Militar está nas ruas, muito bem equipada com armas e viaturas
modernas. E o crime só aumenta. Por quê? A verdade é que no Brasil tudo é
permitido, inclusive o proibido.
A
impunidade há muito se tornou patrimônio nacional, assim como a banalização do
crime. A sociedade está apática, porque há excessos em tudo. A Democracia em
excesso foi o que estragou o sonho de um país livre, igualitário e
independente. Tolerância é a palavra.
Vários
países civilizados punem, não pela idade, mas pelo crime cometido. No Brasil
quem tem dezessete anos e onze meses é criança. Mas mudar a idade do castigo
não basta. Continuo acreditando que a arma da sociedade está na educação de
qualidade, educação principalmente para quem só reclama por paz e para quem há
muito tempo perdeu sua esperança.
Célio
Furtado – Jornalista e Artista Plástico

