O
presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeira (Inep), José Francisco Soares, descartou, em Fortaleza, o cancelamento
do Enem 2014 por causa de fraudes e suposto vazamento. "Está completamente
fora de cogitação", disse. "Não há nada que nos leve a essa
direção'', afirmou.
Segundo
ele, o Inep decidirá os procedimentos quanto ao suposto vazamento após o fim da
investigação da Polícia Federal do Piauí. ''No nosso caso temos de esperar essa
investigação para, então, procedermos a ação [...]. O Enem não será cancelado.
Estamos aqui diante de um fato completamente isolado que a policia está
investigando [...]. A isonomia será garantida a partir das informações que a
polícia nos fornecer. É perfeitamente possível encontrar maneiras de restaurar
uma isonomia em um evento localizado'', disse.
Operação
Apollo
Na
manhã desta sexta-feira (14), Soares participou da apresentação do resultado da
operação Apollo, da Polícia Federal, que prendeu quatro pessoas nesta manhã por
fraude no Enem 2014. Duas prisões foram efetuadas em Juazeiro do Norte, no
Cariri cearense, e duas na Paraíba. Foram cumpridos sete mandados de busca em
Juazeiro do Norte, quatro na Paraíba e um no Piauí.
Os
quatro presos estão envolvidos na cooptação de canditados interessados em
partipar do esquema de fraude e de pessoas para fazer o teste e passar o
gabarito das questões durante a prova, segundo a Polícia Federal. Considerando
dois flagrantes de pessoas repassando ''cola'' pelo celular na prova do Enem de
sábado (8), são seis prisões relativas ao Enem 2014, dentro desta mesma
investigação. As fraudes beneficiam principalmente candidatos interessados em
ingressar em medicina em universidades públicas.
Suposto
vazamento
Responsável
pela segurança do Enem no Ceará, a delegada Andréa Karine afirmou que as
prisões não têm relação com os vazamentos denunciados por alunos no Piauí e
Ceará. "Não temos elementos que mostrem conexão entre os dois casos",
disse. Três alunos do Ceará disseram nesta quinta-feira (13) que também
receberam antecipadamente o tema da redação do Enem 2014. Eles conversaram com
o G1 e informaram que mensagens pelo celular com o tema "Publicidade
Infantil no Brasil" foram enviadas a eles, de forma similar ao que ocorreu
com estudantes do Piauí. No Piauí, a Polícia Federal e o Ministério
Público Federal no Piauí (MPF-PI) abriram inquérito para investigar o caso. No
Ceará, até a manhã desta sexta não havia denúncias do gênero na Polícia Federal
ou MPF.
Prisões
no sábado
No
domingo (9), a Polícia Federal divulgou ter prendido duas pessoas suspeitas de
passar o gabarito do exame em mensagens no celular em Juazeiro do Norte na
prova do Enem de sábado (8). Elas foram
autuadas pelo crime de fraude em concurso de interesse público.
Os
candidatos presos se inscreveram com sabatistas, que fazem o exame em horário
diferenciado. "Eles foram presos com os gabaritos das provas nos
celulares. Ainda não podemos saber como eles tiveram acesso, estamos no começo
da investigação", disse, neste fim de semana, a delegada da Polícia
Federal Andréia. Os presos foram liberados após pagamento de fiança no valor de
R$ 6 mil e vão aguardar o julgamento.
Vazamento
na edição 2011
Em
2011, uma escola privada de Fortaleza teve acesso antecipado a 16 questões do
Enem, que foram compartilhadas entre os alunos. Os candidatos que tiveram
acesso prévio tiveram as questões anuladas.
Na
época, o Ministério Público Federal chegou a pedir a anulação da prova, mas a
Justiça não deu decisão favorável ao procurador Oscar Costa Filho.
G1

