Com o avanço da tecnologia, que interferiu até no folclore brasileiro, onde as festas passaram por grandes transformações, alguns grupos resistem a essas mudanças. Os blocos com as famosas charangas, embalados ao som do frevo, foram aos poucos substituídos por grandes estruturas de som e um novo ritmo, o axé, a cultura está ameaçada de extinção.


Em Cuité, apesar da falta de investimento por parte dos poderes públicos e privados, em sua maioria, um movimento resiste a tudo isto. O bloco ‘Jaraguá’, que passou anos sem desfilar, retornou há alguns anos e mantém viva essa tradição.


Com bonecos gigantes, o bloco sai às ruas como os antigos carnavais, quem viveu nas décadas de 70, 80 e 90 faz uma viagem no tempo. No Jaraguá não tem trio elétrico, no máximo Kaká promoções e sua Kombi tocando marchinhas carnavalescas.


Mesmo sendo “ultrapassado”, aos olhos dos mais jovens, o bloco se apresenta em toda a região e faz a festa por onde passa. Graças a um grupo de amigos, a tradição prevalece em Cuité, para a alegria dos que não acompanharam a modernidade e preferem reviver a cada ano uma juventude que por pouco não foi esquecida.

Flávio Fernandes
Foto: Aeliton Clécio