O
presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, deve expedir hoje
novos mandados de prisão contra os condenados do processo do mensalão. A levar
em conta seu voto na sessão da corte na quarta passada, a expectativa é que até
sete novos mandados sejam expedidos.
Entre
os sete estão os deputados Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT), e
o delator do esquema, Roberto Jefferson (PTB). Todos escaparam da primeira leva
de prisões, que incluiu o ex-ministro José Dirceu, o deputado José Genoino e o
operador do mensalão, Marcos Valério Fernandes de Souza.
Também
pode ser determinado o início do cumprimento das penas alternativas do ex-sócio
da corretora Bonus Banval Enivaldo Quadrado, do ex-tesoureiro do PTB Emerson
Palmieri e do ex-deputado José Borba. Eles terão de prestar serviços
comunitários e pagar multas.
Dentre
os 25 condenados, só três têm a certeza de que não cumprirão suas penas agora:
o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), o ex-assessor do PP João Cláudio Genu e
outro ex-sócio da Bonus Banval, Breno Fischberg.
Eles
têm direito à apreciação de um recurso pelo STF. Por isso, seus casos só devem
ser concluídos em 2014. Além disso, 12 réus terão analisados no ano que vem
outros recursos, os chamados embargos infringentes, que podem reduzir suas
penas.
Para
poder decretar as prisões, Barbosa terá que certificar o chamado trânsito em
julgado, o fim oficial do processo, para parte dos réus.
Na
sexta, feriado da Proclamação da República, o ministro expediu os mandados
poucas horas após certificar o fim do processo contra Dirceu, Genoino e o
ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.
CRÍTICAS
Os
mandados expedidos por Barbosa estão sendo criticados por advogados.
Segundo
eles, como não há menção ao regime de prisão, condenados como Dirceu, que têm
direito à prisão no semiaberto, podem começar a cumprir pena no fechado -na
realidade, eles estão sob custódia provisória da Polícia Federal numa unidade
especial dentro do complexo da Papuda, em Brasília.
A
defesa do ex-ministro chegou a enviar petição ao STF para evitar que ele cumpra
pena num regime mais grave que o imposto pela corte. O documento ainda não foi
respondido por Barbosa.
Outra
crítica é sobre o envio dos presos a Brasília.
O
advogado de Delúbio, Arnaldo Malheiros Filho, disse que apresentará um pedido à
Justiça para que seu cliente cumpra pena num presídio próximo de sua família,
possivelmente em Goiás.
O
advogado da ex-diretora da agência SMPB Simone Vasconcelos, Leonardo
Yarochewsky, afirmou que o envio dos condenados para Brasília foi
"desperdício de dinheiro público" e que irá pedir a transferência
dela.
Apesar
da expectativa do cumprimento de novos mandados, Barbosa deve passar o dia
longe do Supremo. Ele abrirá o Encontro Nacional do Judiciário, em Belém.
O
presidente do STF não deu declarações desde que emitiu os primeiros mandados de
prisão.
SEVERINO
MOTTA
Com
Polêmica Paraíba



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