No entanto, o quantitativo que atua no Estado
é de cerca de 1.800 policiais, segundo informou o presidente da Associação dos
Policiais Civis da Paraíba (Aspol-PB), Sandro Bezerra.
Em decorrência da falta
de efetivo, um dos problemas enfrentados pela população são as delegacias
fechadas nos finais de semana e feriados.
Durante
a última quarta-feira, alguns candidatos classificados no último concurso da
Polícia Civil, realizado em 2008, reuniram-se na sede da Aspol para tratar dos
encaminhamentos da ação judicial que pede a nomeação dos profissionais. De
acordo com Sandro Bezerra, a determinação judicial foi para o Supremo Tribunal
Federal (STF) e retornou para o Tribunal de Justiça da Paraíba, que pede a
nomeação de 173 candidatos que concluíram o curso de formação, em 2011, e
também a convocação dos mais de 600 candidatos aprovados no certame.
“Há
um déficit de mais de sete mil policiais para que se possa dar um mínimo de
atendimento à população. O policial civil hoje está trabalhando por cinco
policiais, chegando no seu limite de cansaço. Sem contar que perdemos vários
policiais do ano passado até agora devido a problemas de saúde provocados pela
excessiva carga de trabalho”, revelou Sandro Bezerra.
Ainda
segundo o representante dos policiais civis, nem mesmo a nomeação de todos os
classificados no concurso seria suficiente para atender a carência de efetivo.
“Hoje temos mais de 500 policiais para aposentadoria. Se todos eles derem
entrada no processo, a Polícia Civil vai praticamente parar. Queremos saber por
que o estado não convoca os policiais. São eles que investigam e identificam
provas e subsídios para manter os elementos presos e auxiliar o poder
judiciário”, reclamou.
Em
abril deste ano, o juiz Antônio Carneiro de Paiva Júnior, titular da 4ª Vara da
Fazenda Pública de João Pessoa, concedeu uma liminar determinando que o Estado
da Paraíba elaborasse o cronograma de convocação dos candidatos aprovados no
concurso da Polícia Civil. Na decisão, o magistrado considerou a necessidade de
melhorar a estrutura de Segurança Pública no Estado e os números da violência
registrados na Paraíba.
CANDIDATOS
ESPERAM A NOMEAÇÃO
De
acordo com a Comissão dos Aprovados no Concurso da Polícia Civil da Paraíba,
dos 1.162 candidatos aprovados, 251 foram nomeados até 2012 e 796 ainda não
foram convocados para um novo Curso de Formação. Já o restante dos candidatos desistiram do
concurso, segundo a Aspol.
Aprovado
em quarto lugar para o cargo de agente de investigação, Felipe Almeida
participou do Curso de Formação, em 2011, mas não foi nomeado. Além do gasto
com a preparação para o concurso, o candidato está desempregado e não desistiu
do cargo.
“Me
dediquei integralmente a esse concurso e passei na expectativa de, em pouco
tempo, ser convocado. Foi uma decepção para mim e para as mais de 800 pessoas
que estão esperando. Se gastou muito no Curso de Formação, mas o conhecimento
está perdido e acho que precisaremos de uma reciclagem”, lamentou.
Segundo
a Aspol, a verba para manter os custos do Curso de Formação dos policiais civis
é disponibilizada pelo Ministério da Justiça, que repassa à Secretaria de
Segurança Pública Estadual.
SECRETARIAS
FALAM SOBRE O PROBLEMA
A
reportagem procurou a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social para
obter dados sobre a quantidade de policiais civis que estão em atividade
atualmente. As informações foram passadas pelo secretário adjunto de
Comunicação, Paulo André Leitão. Segundo ele, o atual efetivo da Polícia Civil
é formado por 1.854 servidores.
Já
com relação à contratação dos aprovados no último concurso público da Polícia
Civil, ele não deu respostas claras. O secretário limitou-se apenas a informar
que o Tribunal de Justiça do Estado suspendeu a sentença decretada pelo juiz
Antonio Carneiro de Paiva Júnior, que determinava a imediata nomeação dos
aprovados. Ele não revelou se o Estado irá ou não convocar os concursados.
A
reportagem também procurou a secretária de Estado de Administração, Livânia
Farias, para comentar o assunto. Ela disse que a validade do concurso vai
prescrever no dia 29 de julho de 2014 e que a nomeação vai depender da situação
econômica do Estado. “Se até lá o Estado tiver condição, vai chamar os concursados”,
afirmou.
DELEGACIAS
FECHADAS PREOCUPAM
De
acordo com informações da Aspol, oito delegacias localizadas em João Pessoa e
Região Metropolitana não funcionam nos finais de semana e feriado. A situação
mais preocupante acontece nas cidades de Bayeux e Cabedelo, onde só há uma
delegacia em cada cidade.
No
primeiro caso, durante o período que ficam fechadas, as ocorrências são
registradas na 6ª Delegacia Distrital (DD), em Santa Rita. Já os casos
ocorridos em Cabedelo são repassados à 12ª DD, no bairro de Manaíra, na
capital.


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